A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma importante ferramenta de transformação social. Voltada a pessoas que não concluíram os estudos na idade regular, a modalidade promove a inclusão de quem precisou abandonar a escola precocemente, seja por dificuldades de acesso ou pela necessidade de trabalhar desde cedo.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação (Smed), há mais de 40 mil pessoas com 15 anos ou mais não alfabetizadas e cerca de 400 mil sem o ensino fundamental em Belo Horizonte, cenário que impacta a qualidade de vida e limita o acesso a melhores oportunidades no mercado de trabalho.
A retomada dos estudos contribui de forma significativa para a melhoria dessas condições. Histórias de superação, como a apresentada no box ao lado, reforçam esse impacto. Ex-alunos da EJA relatam aumento da confiança, novos direcionamentos e até aprovação em concursos públicos, evidenciando o poder transformador da educação.
De acordo com a Smed, mais de 7 mil jovens e adultos estavam inscritos na rede municipal em 2025. O maior público, com cerca de 20% do total, tem entre 15 e 16 anos. Já as pessoas acima de 65 anos representam 17% dos matriculados.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a EJA é ofertada em 95 escolas da rede municipal, distribuídas por todas as regionais da cidade, além de 56 unidades externas em espaços comunitários. Já na rede estadual, de acordo com o Painel Escolas de Minas, da Secretaria de Estado de Educação, 103 unidades em Belo Horizonte atendem jovens e adultos na modalidade EJA.
Assim como muitos estudantes da EJA, Dúrcia de Paula Pereira abandonou os estudos ainda jovem para trabalhar. Em 2006, decidiu retomar a vida escolar e, hoje, atua como educadora.
"No interior onde cresci, era comum estudar até a 4ª série e abandonar a escola para ajudar em casa ou trabalhar. Com o passar do tempo, percebi o quanto isso me fazia falta. Foram meus filhos que me incentivaram a voltar aos estudos. Entrei na EJA com 49 anos e concluí o ensino médio em 2008. Logo depois, prestei um concurso em Ribeirão das Neves e fui aprovada. Em seguida, fiz faculdade de Pedagogia e um curso de Magistério na UFMG. Hoje, com 18 anos de profissão, deixei de ser dona de casa para me tornar educadora. Foi a melhor decisão da minha vida".
Dúrcia de Paula
Pedagoga, ex-aluna EJA